segunda-feira, 6 de abril de 2015

III - Sobre a brevidade da vida [Sêneca]

Essa é a carta III do livro Sobre a brevidade da vida, de Sêneca, traduzido por Lúcia Sá Rebello e publicado pela Editora L&PM Pocket.

Prefiro não estragar seu diálogo com Sêneca com minhas palavras. Ouça-o e absorva... Use seu tempo de forma prazerosa. Carpe diem! ;)

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1. Nenhum homem sábio deixará de se espantar com a cegueira do espírito humano. Ninguém permite que sua propriedade seja invadida, e, havendo discórdias quanto aos limites, por menor que seja, os homens pegam em pedras e armas. No entanto, permitem que outros invadam suas vidas de tal modo que eles próprios conduzem seus invasores a isso. Não se encontra ninguém que queira dividir sua riqueza, mas a vida é distribuída entre muitos! São econômicos na preservação do seu patrimônio, mas desperdiçam o tempo, a única coisa que justificaria a avareza.

2. Agradar-me-ia questionar qualquer um dentre os mais velhos: "Vemos que já atingiste o fim da vida, tens cem ou mais anos. Vamos, faz o cálculo da tua existência. Conta quanto deste tempo foi tirado por um credor, uma amante, pelo poder, por um cliente. Quanto tempo foi tirado pelas brigas conjugais e por aquelas com escravos, pelo dever das idas e vindas pela cidade. Acrescenta ainda as doenças causadas por nossas próprias mãos e também todo o tempo desperdiçado. Verás que tens menos anos do que contas.

3. Prescruta a tua memória: quando atingiste um objetivo? Quantas vezes o dia transcorreu como o planejado? Quando usaste teu tempo contigo mesmo? Quando mantiveste uma boa aparência, o espírito tranquilo? Quantas obras fizeste para ti com um tempo tão longo? Quantos não esbanjaram a tua vida sem que notasses o que estavas perdendo? O quanto de tua existência não foi retirado pelos sofrimentos sem necessidade, tolos contentamentos, paixões ávidas, conversas inúteis, e quão pouco te restou do que era teu? Compreenderás que morrer cedo".

4. O que está em causa então? Viveste como se fosses viver para sempre, nunca te ocorreu a tua fragilidade. Não te dás conta de quanto tempo já transcorreu. Como se fosse pleno e abundante, o desperdiças e, nesse ínterim, o tempo que dedicas a alguém ou a alguma coisa talvez seja o teu último dia. Temes todas as coisas como os mortais, desejas tantas outras, tal qual os imortais.

5. Ouvirás a maioria dizendo: "Aos cinquenta anos me dedicarei ao ócio[17]. Aos sessenta anos, ficarei livre de todos os meus encargos". Que certeza tens de que há uma vida tão longa? O que garante que as coisas se darão como dispões? Não te envergonhas de destinar para ti somente resquícios da vida e reservar para a meditação apenas a idade que já não é produtiva? Não é tarde demais para começar a viver, quando já é tempo de desistir de fazê-lo? Que tolice dos mortais a de adiar para o quinquagésimo e sexagésimo anos as sábias decisões e, a partir daí, onde poucos chegaram, mostrar desejo de começar a viver?

[17]. Sêneca adverte contra aquela correria desvairada a que se entrega a maioria dos homens, que agem como animais, reiniciando sem cessar o mesmo movimento vão. Ora, essa inútil agitação não conduz senão ao esgotamento das forças físicas e à frustração mental. Ele não prega a preguiça, conforma afirma: "(...) não te convido à preguiça e nem à inércia" (XVIII, 2), apenas recomenda evitar a falsa operosidade e a fútil agitação.

Referência: SÊNECA, Lúcio Anneo. Tradução Lúcia Sá Rebello. Sobre a brevidade da vida. Porto Alegre: L&PM, 2008 p. 30-32

Um comentário:

  1. Nossa, linda mensagem!! Acho que até serviu como um tapa na cara kkkk
    Bjs Pati(desculpa se não gostar que te chame assim) Bjsss <3

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'Brigada por ter me dado um 'cadinho do seu tempo!
Assim que possível, respondo, viu!
Beijo procê!